segunda-feira, março 01, 2010

Às vezes sonho contigo


Às vezes sonho contigo. Nos meus sonhos há uma harmonia que nunca encontrei em nós. Uma harmonia tão perfeita que a estranho. Nesses pedaços de sonho, eu e tu somos aquilo que sonhámos há anos atrás. Nesses sonhos, falamos a mesma língua e os nossos olhares dizem mais que milhares de frases.
Nesses sonhos, eu e tu somos o espelho da felicidade. Da cumplicidade notória aos olhos de todos.

Às vezes sonho contigo. E quando acordo, deixo-me estar nos lençois a recordar esses sonhos. A revive-los e a (re)inventar mais um pouco a realidade que neles vivo.
A tua voz, nesses sonhos, soa baixinho, soa sorrindo e aquece os meus dias (noites). O teu sorriso inspira e deixa um rasto de alegria no ar. 

Às vezes sonho contigo. No meu sonho, para além do desejo, existe sintonia. Nos sonhos, eu e tu somos realmente um só. 
As discussões dão lugar a conversas doces, a troca de ideias e opiniões, que mesmo quando contrárias acabam num beijo. Num doce beijo. Num beijo onde se tocam duas almas e não apenas dois lábios.


Sim. Às vezes (ainda) sonho contigo. Nos meus sonhos esqueces-te o orgulho e demonstras em cada gesto o quanto queres que as coisas entre nós funcionem. Em cada gesto que te acompanha as palavras demonstras a tua compreensão a tudo o que digo. Nos meus sonhos, não escutas unicamente o teu eco e não rebaixas os meus pequenos sonhos, comparados com os teus grandes e sempre tão imporantes.
Nesses sonhos, partilhamos ideais, sonhamos juntos. Reina o conhecimento que temos um do outro e uma capacidade surreal de entendimento (coisa que nunca tivemos na realidade, apenas reside nos meus sonhos).


Às vezes sonho contigo. Às vezes gostava que esses sonhos se tornassem reais. Mas na maioria das vezes, apenas me enrosco mais um pouco na cama e volto a fechar os olhos para tentar sentir o que sentia no sonho.
E não sinto...
E mesmo enquanto sonho, sei que nada será como vivo ali. Até nos nosso sei que vou acordar depois e que afinal, continuamos a ser duas almas presas, sem asas e sem capacidade de voar juntas.


Porque, eu e tu somos assim... Tão unidos como distantes. Tão diferentes e tão iguais. Mas não, não conseguimos que os meus sonhos sequer cruzem a realidade.
Entre nós não há entendimento. O código da língua é diferente e ás vezes, as mesmas palavras tem significados diferentes para cada um.


Sim. Às vezes (ainda) sonho contigo.



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